Ferramenta em desenvolvimento na USP integra experiências imersivas
São Paulo, 28 de outubro de 2026 – O envelhecimento populacional tem imposto desafios complexos aos sistemas de saúde, exigindo novas ferramentas para o diagnóstico precoce de condições neurodegenerativas. Diante desse cenário, pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), em São Carlos, estão desenvolvendo uma plataforma tecnológica que integra realidade virtual, inteligência artificial (IA) e análise da atividade cerebral para aprimorar a identificação do comprometimento cognitivo leve (CCL) – estágio intermediário entre o declínio cognitivo natural do envelhecimento e o início de quadros demenciais.
A proposta amplia as possibilidades de avaliação para além dos testes tradicionais. Durante as atividades, os participantes realizam tarefas em ambientes virtuais, enquanto tecnologias específicas registram informações sobre seu comportamento e funcionamento cerebral. Dados dos movimentos dos olhos e da atividade elétrica cerebral são coletados e analisados com o auxílio de técnicas computacionais e algoritmos de IA.
Atualmente, estima-se que entre 15% e 20% das pessoas com mais de 65 anos tenham comprometimento cognitivo leve, sendo que metade desse grupo pode evoluir para um quadro demencial, como a doença de Alzheimer, em até cinco anos. Identificar essa transição precocemente é o principal objetivo do projeto de pós-doutorado de Roberto Douglas Guimarães de Aquino, que tem como supervisor Alexandre Delbem, professor do ICMC e coordenador do Centro para Inteligência Artificial em Gestão de Saúde (ciaGsaúde) um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) financiado pela FAPESP.
A pesquisa é desenvolvida no âmbito do ciaGsaúde em parceria com centros de pesquisa na área e laboratórios, como o Centro de Engenharia Aplicada à Saúde, sediado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.
Segundo Aquino, a triagem e o monitoramento do declínio cognitivo dependem, tradicionalmente, de exames neuropsicológicos baseados em papel e caneta, como o Miniexame do Estado Mental e o Montreal Cognitive Assessment (MoCA). “Embora muito utilizados na prática clínica, esses testes apresentam limitações importantes: são vulneráveis a variáveis socioculturais e educacionais do paciente, dependem de interpretações subjetivas e possuem sensibilidade reduzida para flagrar as formas mais leves e iniciais de comprometimento. O que propomos aqui é uma quebra de paradigma com uma experiência imersiva e dinâmica capaz de medir as reações biológicas exatas do cérebro em milissegundos”, explicou à Assessoria de Imprensa do ICMC.
[Conteúdo da Agência de Notícias do Governo de São Paulo]





