Santa Cruz do Rio Pardo, 12 de julho de 2025 – O embarque para a 24ª edição do festival Rock Rio Parto, em Santa Cruz do Rio Pardo, foi em frente ao Berlim, em Marília. Um letreiro anunciava o cover do Metallica, e não perdi tempo em registrar para o Instagram. As vagas ali, apesar do começo da tarde de sábado, estavam concorridas. O que mais chamava atenção, a menos de 50 metros, era a frota de carros luxuosos: uma Ferrari vermelha e três Porsches. “Até parecia desfile em avenida de Camboriú ou Dubai”, pensei, lembrando de minhas viagens onde vi Porsches, Ferraris, Teslas e Lamborghinis. Imaginei o improvável: um Fusca ‘Fafá’ desgovernado atingindo aquela fila de luxo. Nem em ‘Velozes e Furiosos’ um roteirista conceberia algo tão inesperado e desesperador.
Rodamos pela BR-153 e acessamos a cidade conhecida pela cultura da corrida de bóia de câmara de pneu de caminhão. Já estive várias vezes em Santa Cruz do Rio Pardo, inclusive a trabalho, acompanhando o então ministro das Cidades, Gilberto Kassab. Em 2010, quando participei representando a região de Marília na final estadual do Mapa Cultural Paulista, conheci o ator Umberto Magnani Neto (1941-2016), natural de Santa Cruz, com quem conversei sobre a tradicional corrida de boia. Mas naquele sábado, véspera do Dia do Rock, a pauta era atitude: o rock’n’roll! Confesso que demorei mais que minha geração para imergir nas baladas roqueiras. Na adolescência, só aceitava Raul Seixas e Bob Dylan. A resistência cedeu com The Doors, e desde então, não parei de descobrir novas bandas.
Tenho um grande amigo, Guilherme ‘Kemp’, que, nos tempos de redação em jornal impresso, me apresentou vários músicos e bandas de rock. Através do country, gênero que um dos meus irmãos apreciava, conheci Johnny Cash. Assim, sempre alguém me apresenta um som novo e meu repertório se expande. ‘Kemp’, aliás, é hoje um dos mais cultuados intérpretes-cover da região; sua performance de Axl Rose na praça do Continental, ano passado, tornou-se antológica na cena roqueira mariliense. Dani, a organizadora da excursão para o Rock Rio Pardo 2025 e também fã incondicional de Raul Seixas, me disse na van: “Tem que fazer uma crônica da viagem!”. E, sem perder tempo, além de turista, observei cada detalhe para esta escrita. Notei a harmonia do evento: pessoas de todas as idades — famílias, adolescentes, jovens e casais — em perfeita sintonia. A organização e o acolhimento foram pontos fundamentais, assim como a variedade gastronômica (saboreei um hambúrguer defumado perfeito). Cada banda no palco deixava sua marca e mensagem.
Músicos de Marília brilharam: Waltão (@walterclaroguitar) e Vi Martins (@vimartinsmusico), com o pessoal do Iron Maiden 014, prestaram um tributo digno aos ingleses de ‘Fear of the Dark’. E, de tudo que vivi na véspera do Dia do Rock, o que prevaleceu foi a amizade e o jeito fraterno com que um roqueiro trata o outro, afinal, ali não existe o estranho: existem amantes da música que encanta bilhões de pessoas!
Ramon Barbosa Franco é escritor e jornalista, autor dos livros ‘Canavial, os vivos e os mortos’, ‘A próxima Colombina’, ‘Contos do Japim’, ‘Vargas, um legado político’, ‘Laurinda Frade, receitas da Vida’, ‘Quatro patas, a história de Pituco’, ‘Nhô Pai, poeta de Beijinho Doce’, ‘Dias de pães ázimos’ e das HQs ‘Radius’, ‘Os canônicos’ e ‘Onde nasce a luz’, [email protected]





