MARÍLIA – Os moradores do bairro Vida Nova Maracá, na zona norte de Marília, enfrentaram mais uma crise no abastecimento de água neste fim de semana. A RIC Ambiental, responsável pela concessão do serviço desde setembro de 2024, atribuiu a interrupção a uma pane elétrica em equipamentos como booster e atuador de registro. O reabastecimento começou no domingo à tarde, mas a demora para normalizar o fornecimento evidenciou mais uma vez os problemas estruturais que afetam a cidade há décadas.
A concessão foi realizada durante a gestão anterior, comandada por Daniel Alonso, sob a promessa de modernização e eficiência. Contudo, pouco mudou. O abastecimento segue irregular e sem garantia de melhorias concretas. Agora, o prefeito recém-empossado, Vinícius Camarinha, já demonstrou preocupação com os impactos negativos do contrato para Marília, afirmando que a concessão traz sérios prejuízos ao município. Ele promete revisar os termos, mas não se posiciona contra a ideia de concessão em si.
Um problema histórico agravado pela crise climática
O problema de falta de água em Marília é crônico, fruto de anos de negligência e má gestão. A população já se acostumou, infelizmente, com interrupções constantes que, ao longo dos anos, se tornaram parte do cotidiano da cidade. A crise climática global tende a agravar ainda mais essa situação, com temperaturas mais altas e eventos climáticos extremos aumentando a pressão sobre os sistemas de abastecimento.
A RIC Ambiental alega que o alto consumo causado pelo calor intenso nos últimos dias agravou o problema. No entanto, a empresa não apresenta dados detalhados sobre o consumo ou a capacidade do sistema, limitando-se a pedir paciência e uso consciente da água. Para muitos moradores, a justificativa soa como mais do mesmo. “Pagamos tarifas mais altas e, mesmo assim, continuamos com a falta d’água. Parece que só o valor da conta mudou, não a qualidade do serviço”, desabafou um residente do Maracá.
A concessão em xeque
Quando o serviço foi transferido do DAEM para a RIC Ambiental, a promessa era de avanços estruturais e operacionais. Contudo, o contrato firmado na gestão anterior não incluiu um plano detalhado de obras, com metas e prazos definidos para cada região. Sem esse compromisso, a empresa assume a operação sem oferecer à população a segurança de que os problemas históricos serão solucionados.
O prefeito Vinícius Camarinha tem afirmado que a concessão, nos moldes atuais, compromete a cidade. Ele defende uma revisão criteriosa do contrato, que equilibre os interesses públicos e privados e garanta os investimentos necessários para resolver as falhas no abastecimento.
Sofrimento da população e a necessidade de ações urgentes
Enquanto os debates sobre a revisão do contrato avançam, quem sofre é a população. A falta d’água em pleno verão, com altas temperaturas, escancara o quanto Marília ainda precisa evoluir para oferecer um serviço básico e digno aos seus cidadãos. Sem planejamento, investimentos e transparência, o problema parece longe de uma solução definitiva.
A crise no Maracá é apenas mais um exemplo de como a cidade enfrenta desafios históricos no abastecimento, agravados por questões climáticas e decisões políticas questionáveis. É hora de priorizar ações concretas que garantam água nas torneiras, especialmente em um cenário em que as adversidades só tendem a aumentar.
Marília não pode mais esperar.





