Marília, 19 de março de 2026 – O setor de reciclagem no Brasil atravessa um momento de transição entre o estigma do ‘mercado do lixo’ e a consolidação como uma cadeia de suprimentos estratégica e bilionária. Em entrevista concedida nesta quarta-feira, 18 de março, na sede do Grupo Metalfec, em Vera Cruz (a 12 quilômetros de Marília), o consultor e empresário Paulo Fiuza — a maior referência no segmento voltado para o ramo de sucateiros — ressaltou que a reciclagem moderna é, fundamentalmente, uma questão de empreendedorismo e eficiência industrial. Conforme ponderou o especialista, os materiais recicláveis não devem ser vistos como resíduos, mas como commodities com preços dolarizados e tabelas internacionais, funcionando como substitutos diretos para produtos virgens. Fiuza estará presente hoje, quinta-feira, dia 19 de março, no Workshop Metalfec 2026 – Recicla Legal, logo mais, às 18 horas, no hotel Sun Valley, em Marília, para aprofundar o debate sobre a gestão e a profissionalização desse ecossistema.
Um dos pontos mais relevantes destacados por Fiuza refere-se à viabilidade financeira e ambiental da indústria pesada. Ao comparar o uso de matéria-prima extraída com a reciclada, o consultor revelou dados impressionantes sobre a economia de recursos: no caso do alumínio, a utilização de material reaproveitado consome apenas 5% da energia que seria necessária para processar a bauxita virgem, representando uma economia de 95%. No setor de ferro e aço, essa redução de custos operacionais gira em torno de 20%. Essa dinâmica demonstra que a reciclagem não é apenas uma escolha ecológica das multinacionais, mas uma necessidade de sobrevivência financeira para manter a competitividade diante dos altos custos de extração mineral.
O preconceito e o estigma social
Apesar do potencial lucrativo e da importância para a economia circular, o setor ainda enfrenta um forte preconceito social e falhas graves de gestão interna. Fiuza apontou que a maioria das empresas de reciclagem no país nasceu da base da pirâmide, formada por ex-catadores e motoristas que construíram impérios financeiros com grande aptidão comercial, mas pouca instrução administrativa. Essa falta de profissionalização gera gargalos em áreas críticas como contabilidade, tributação e conformidade jurídica. Para o mentor, o ponto crucial para o sucesso no ramo não está apenas na operação de compra e venda, mas na implementação de sistemas de gestão robustos que permitam ao empresário ter controle total sobre seu estoque e fluxo de caixa.
Workshop inédito e o pioneirismo da Metalfec
O papel do evento em Marília será justamente expor essa nova visão para entes públicos e privados, conectando desde o pequeno reciclador até autoridades municipais e gestores logísticos. Fiuza reforçou que a reciclagem é uma engrenagem onde todos ganham: a indústria reduz seus custos, o consumidor final paga menos pelo produto novo e o meio ambiente é preservado pela redução da extração predatória.
A profissionalização do ‘sucateiro’ é o caminho para transformar uma profissão historicamente marginalizada em uma carreira executiva respeitada. O workshop promovido pela Metalfec servirá como uma plataforma para quebrar o estigma do setor e apresentar ferramentas de gestão que já levaram o consultor a ser premiado nacionalmente por sua performance no mercado de metais.
Em complemento à visão técnica de gestão, o CEO do Grupo Metalfec, Fábio Donófrio, enfatizou que a responsabilidade do setor é direta na redução de delitos patrimoniais na região de Marília, afirmando que o estímulo ao furto de materiais como o cobre deixa de existir quando não há quem compre de forma ilegal.
O empresário ressaltou que a formalização é um processo simples, baseado na identificação rigorosa da origem dos materiais e na exigência de documentação básica, garantindo segurança jurídica ao estabelecimento. Donófrio alertou que a compra informal prejudica toda a cadeia e que o lucro ético é o único caminho para a sustentabilidade, especialmente em um momento de alta demanda global impulsionada pelo setor de veículos elétricos e por crises na oferta de minério.
O workshop ‘Recicla Legal’ pretende consolidar Marília como um polo de inovação em boas práticas na indústria de resíduos, promovendo o networking entre empresários e órgãos de segurança pública. Amanhã, os participantes terão a oportunidade de discutir temas que vão desde a economia de energia até as recentes mudanças tributárias que impactam o faturamento das empresas de sucata. Com foco na transparência, o encontro busca sanar dúvidas sobre como operar dentro da legalidade, transformando o passivo ambiental em um ativo econômico valioso.
Serviço
Workshop Metalfec 2026 – Recicla Legal
Data: 19 de março de 2026 (Hoje)
Horário: das 18h às 22h
Local: Hotel Sun Valley – Marília (SP)
Inscrições: gratuitas – encerradas





