El País, da Bolívia, confirma que ex-candidato a prefeito de Marília está preso em Madri, na Espanha

João Pinheiro não é visto em Marília desde o final de maio. Segundo a imprensa internacional, empresário é investigado pela Justiça boliviana

Siga o Paulista também nas redes sociais!

Tarija, Bolívia, 30 de junho de 2025 – Reportagem publicada na imprensa da Bolívia, pelo jornal El País – de circulação nacional – informa que o ex-candidato a prefeito de Marília, João Pinheiro – que ficou conhecido por ser considerado o político mais rico em disputa eleitoral nas eleições de 2024 – estaria preso em Madri, na capital da Espanha. ‘O empresário deixou o Brasil em 26 de maio e um voo com destino a Madri, Espanha, e desde então não regressou. Ainda que algumas fontes tenham ventilado o rumo de que estava preso na Espanha, seu advogado no Brasil, Luiz Eduardo Gaio Júnior, negou essa informação. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil também se limitou a declarar que não poderia trazer informações sobre o assunto. Não existe, atualmente, uma ordem de prisão vigente contra ele em solo brasileiro’, publicou originalmente em espanhol o jornal El País.

Conforme a imprensa da Bolívia, a situação que envolve João Pinheiro, que protagonizava carreatas eleitorais com carros de luxo e até com a  participação de helicópteros, ocorreu na região canavieira de Bermejo. “Com a autorização do governo boliviano e aval do Ministério de Desenvolvimento Rural e Terras, nascia [em 2019] oficialmente o Complexo Industrial da Cana de Açúcar – conhecido pela sigla Cicasa, em espanhol – um ambicioso projeto que prometia processar 2.500 toneladas diárias de cana-de-açúcar e aliviar assim o excesso de produção não absorvido pela antiga usina de IABSA. Entretanto, seis anos depois, o que começou como uma promessa de desenvolvimento acabou se tornando um pesadelo jurídico e financeiro para os produtores, que agora buscam justiça após serem fraudados em $ 684 mil dólares”, trouxe a reportagem boliviana.

“O golpe por trás do sonho”, informa jornal

“O homem no centro desta história é João Henrique Pinheiro, um cidadão brasileiro que se apresentou como empresário industrial e fornecedor de máquinas especializadas para a construção da usina.

De acordo com Rodolfo Garzón, representante da Cicasa e líder da Federação dos Produtores de Cana-de-Açúcar do Sul (Fecasur), foi Pinheiro quem convenceu os investidores a prosseguir com o contrato, assinando documentos públicos e recebendo um total de 684 mil dólares, dinheiro transferido de bancos bolivianos para contas internacionais”, mencionou o El País.

“Cumprimos todos os desembolsos exigidos pelo contrato. Ele chegou a enviar um engenheiro do Brasil para trabalhar na terraplenagem e no projeto da montagem”, explicou  Garzón, observando que as máquinas nunca chegaram. O que se seguiu foi uma longa e frustrante busca por justiça. Diante dos evidentes atrasos na entrega das máquinas, uma comissão da Cicasa viajou ao Brasil, onde confirmou que os equipamentos expostos por Pinheiro não lhe pertenciam. Diante desse histórico, decidiram instaurar um processo criminal por fraude qualificada em Tarija [capital do estado da Bolívia de mesmo nome, cidade onde circula o El País], dada a impossibilidade de litigar no Brasil devido aos altos custos e às exigências de cidadania no país.

“Com provas documentadas, o caso avançou pelo Ministério Público de Tarija, até que o Primeiro Juizado Público de Família e Investigação Criminal de Bermejo emitiu um mandado de prisão internacional contra João Henrique Pinheiro, ativando o selo vermelho da Interpol”, publicou.

“O caso de João Henrique Pinheiro — agora detido na Espanha — será um teste para a cooperação judicial internacional e a disposição do Estado boliviano em defender seus cidadãos contra crimes financeiros transfronteiriços”, finalizou o jornal da Bolívia.

Outro lado

A reportagem do Paulista Notícias entrou em contato com o empresário João Pinheiro através de mensagens do whatsapp – número oficialmente confirmado dele, pois em outras matérias o então candidato a prefeito de Marília utilizava este mesmo contato de telefone – repercutindo as informações e abrindo espaço para que pudesse se manifestar. Contudo, até o fechamento desta matéria o empresário não respondeu. O espaço do portal continuará aberto para que João Pinheiro – ou sua defesa – possa se manifestar.

Publicidade

Mais
notícias