“Brasil está virando o país do tributo e deixando a reciclagem”, afirma Donófrio, do Grupo Metalfec

Evento inédito em Marília reúne representantes de todo o país para debater gargalos e o impacto da nova taxação sobre o setor de sucatas

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Marília, 24 de março de 2026 – O workshop Recicla Legal, realizado pelo Grupo Metalfec em 19 de março, em Marília, superou as expectativas ao reunir mais de 140 participantes de estados como Ceará, Rio Grande do Sul, Maranhão e Pará. Idealizado inicialmente para combater o furto de fios de cobre, o evento consolidou-se como um fórum estratégico de formalização. Conforme afirmou Fábio Donófrio – idealizador e organizador do simpósio e CEO do Metalfec, o interesse foi imediato. “Fiquei surpreso pelo sucesso. Mostra que o setor quer crescer e se organizar”, declarou.

A principal preocupação dos congressistas recai sobre a recente alteração tributária que impôs 9,25% de PIS e COFINS sobre a sucata. Donófrio classificou a medida como um retrocesso ambiental e econômico. “O Brasil está deixando de ser o país da reciclagem e virando o país do tributo”, desabafou o empresário, ressaltando que a nova carga tributária configura uma ‘exa-tributação’, já que o produto original já havia sido taxado anteriormente em sua fabricação.

O impacto social da medida deve atingir diretamente a base da cadeia produtiva: os catadores. Com a nova tributação, o valor pago pelo material reciclado deve sofrer retração, desestimulando a atividade. Donófrio alerta que a conta chegará na ponta final: “Quem vai pagar essa conta é o catador, que vai vender sua reciclagem 10% a menos”. Para ele, o setor deveria receber incentivos governamentais pela economia de energia e preservação, em vez de novas punições financeiras.

A relevância do alumínio foi destacada como exemplo de potencial desperdiçado pela falta de políticas públicas. Embora o Brasil seja líder mundial na reciclagem do metal, o setor enfrenta dificuldades para expandir a operação para outros resíduos, como plástico e papelão. Donófrio pontuou que a reciclagem de alumínio utiliza apenas 5% da energia necessária para a extração mineral: “Com 2 mil toneladas, você consegue abastecer uma cidade como Marília”, comparou, enfatizando a dimensão do ganho ambiental.

O workshop contou com a presença de figuras como Paulo Fiuza e Anderson Pomini, presidente do Porto de Santos, que sinalizou apoio à interlocução política do setor. O sucesso do encontro garantiu a continuidade do projeto para novas edições. “Esse é o primeiro de muitos. Ficou um gostinho de quero mais e a oportunidade de um networking fundamental entre indústrias, sucateiros e o poder público”, concluiu Donófrio, projetando um mercado impulsionado por novas tecnologias e carros elétricos.

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