Inalação controlada de ar rarefeito pode ser estratégia para atenuar sintomas de Parkinson

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Estudo preliminar conduzido na Unesp mostra que a abordagem é segura

São Paulo, 27 de outubro de 2026 – Respirar ar rarefeito como o encontrado no topo de grandes montanhas costuma ser desgastante para o organismo. Mas um estudo conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que a exposição controlada e em pequenos intervalos ao ar livre com baixa oxigenação é segura, não prejudica o sono e pode modular hormônios e marcadores associados à inflamação em pessoas com doença de Parkinson. Os resultados preliminares abrem caminho para investigações mais aprofundadas sobre o uso da técnica como terapia complementar para a condição.

Chamada cientificamente de hipóxia intermitente, a abordagem busca estimular respostas adaptativas do corpo sem sobrecarregá-lo. “Os resultados iniciais indicam que a técnica ativa mecanismos de proteção que podem beneficiar pessoas com Parkinson de modo seguro, sem causar efeitos adversos. Isso é importante, pois nos permite realizar investigações com um maior número de voluntários e também com protocolos de longo prazo, que avaliem os efeitos de sessões repetidas”, afirma Fabio Barbieri, coordenador do Laboratório de Pesquisa em Movimento Humano (Movi-Lab) e do projeto de extensão Ativa Parkinson na Unesp de Bauru, que liderou a investigação.

Estima-se que 11 milhões de pessoas no mundo tenham a doença de Parkinson. Caracterizada pela degeneração progressiva de neurônios produtores de dopamina neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos, a condição provoca sintomas motores bem conhecidos, como tremores, rigidez muscular e lentidão, mas também desencadeia manifestações não motoras importantes, incluindo alterações metabólicas, processos inflamatórios e distúrbios do sono.

Como explica Barbieri, medicamentos ajudam no manejo da enfermidade, mas não promovem as modificações metabólicas e anti-inflamatórias necessárias para aliviar todos os sintomas. “Atualmente, o exercício físico é a única estratégia disponível que consegue melhorar as manifestações clínicas. Por isso, é interessante descobrir se a hipóxia controlada teria um efeito parecido, tornando-se um tratamento complementar ao exercício físico. De maneira nenhuma estamos falando em cura da doença de Parkinson ou de uma abordagem que substitui qualquer outro tratamento”, ressalta o pesquisador.

Publicado em agosto na revista “Parkinsonism & Related Disorders” e apoiado pela FAPESP, o estudo contou com a participação de 30 voluntários, metade afetada pela doença de Parkinson e a outra metade saudável. No experimento, que durou 39 minutos, eles utilizaram máscaras e equipamentos que intercalam quatro ciclos de seis minutos respirando ar com apenas 10% de concentração de oxigênio (equivalente a 5.800 metros de altitude) e três intervalos de cinco minutos respirando ar normal (21% de oxigênio). Em outro dia, para comparação, os mesmos voluntários passaram por uma sessão-controle respirando apenas ar normal durante todo o tempo.

[Conteúdo da Agência de Notícias do Governo de São Paulo]

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